Como evitar aquecimento dos cabos durante o carregamento do carro elétrico?

O carregamento de um carro elétrico envolve a passagem de uma quantidade significativa de corrente elétrica durante várias horas. Por isso, é normal que alguns componentes do sistema apresentem um leve aquecimento durante a recarga. O problema começa quando cabos, tomadas, conectores ou terminais ficam excessivamente quentes.

Esse aquecimento pode indicar desde uma instalação inadequada até problemas de dimensionamento, conexões frouxas, sobrecarga ou componentes incompatíveis com a corrente utilizada pelo carregador.

Além de reduzir a eficiência da recarga, o excesso de temperatura pode danificar a instalação elétrica e, em situações mais graves, aumentar o risco de curto-circuito e incêndio.

A boa notícia é que a maior parte desses problemas pode ser evitada com um projeto elétrico adequado, componentes de qualidade e alguns cuidados durante o uso.

Neste artigo, você vai entender por que os cabos aquecem, quais são os principais erros que provocam esse problema e como carregar seu carro elétrico com mais segurança.

Por que os cabos aquecem durante o carregamento?

Todo cabo elétrico apresenta uma determinada resistência à passagem da corrente. Quando uma corrente elétrica passa pelo condutor, parte da energia é transformada em calor.

De forma simplificada, quanto maior for a corrente e a resistência do circuito, maior tende a ser a geração de calor.

Isso se torna especialmente importante no carregamento de veículos elétricos porque o processo pode manter uma corrente elevada durante muitas horas consecutivas.

Por exemplo, um carregador residencial de aproximadamente 7,4 kW em uma rede de 230 V pode trabalhar próximo de 32 A. É uma corrente considerável para uma instalação residencial, principalmente quando o circuito não foi projetado especificamente para essa finalidade.

A ABNT NBR 17019:2022 estabelece requisitos específicos para instalações de carregamento fixo de veículos elétricos e deve ser considerada em conjunto com a ABNT NBR 5410, que trata das instalações elétricas de baixa tensão.

Portanto, o objetivo não é simplesmente escolher um cabo “grosso”. É necessário dimensionar todo o circuito de acordo com a potência do carregador, corrente, tensão, método de instalação, comprimento do percurso, temperatura ambiente e demais características da instalação.

Um pouco de aquecimento é normal?

Sim.

Durante uma recarga prolongada, é possível que cabos e componentes apresentem uma pequena elevação de temperatura.

O que merece atenção é quando existe aquecimento excessivo, cheiro de plástico queimado, mudança de cor, deformação ou derretimento de componentes.

Também é preocupante quando apenas um ponto específico fica muito mais quente que o restante do circuito.

Por exemplo, se o cabo permanece relativamente frio, mas a tomada ou o plugue fica extremamente quente, pode existir um problema de contato elétrico.

Da mesma forma, se determinado terminal do quadro elétrico apresenta temperatura elevada, a conexão pode estar inadequada ou frouxa.

A regra prática é simples:

Se o aquecimento for intenso, localizado ou acompanhado de cheiro, ruído, faíscas ou alteração física do material, interrompa a recarga e procure um profissional qualificado.

1. Dimensione corretamente os cabos

Um dos principais cuidados para evitar aquecimento é utilizar condutores corretamente dimensionados.

Não existe um único tamanho de cabo que sirva para todos os carregadores.

O dimensionamento depende de fatores como:

  • potência do carregador;
  • corrente elétrica;
  • tensão disponível;
  • número de fases;
  • comprimento do circuito;
  • método de instalação;
  • temperatura ambiente;
  • quantidade de circuitos próximos;
  • queda de tensão admissível;
  • características do condutor;
  • tipo de isolamento;
  • condições do local.

Um cabo instalado dentro de um eletroduto, por exemplo, possui condições térmicas diferentes de um cabo instalado de outra maneira.

Por isso, simplesmente copiar a bitola utilizada por outra pessoa pode ser um erro.

Não escolha o cabo apenas pela potência do carregador

Imagine duas casas utilizando o mesmo wallbox.

Em uma delas, o quadro elétrico está próximo da garagem e o percurso dos cabos é curto.

Na outra, o carregador fica bastante distante do quadro, com cabos passando por eletrodutos junto de vários outros circuitos.

Mesmo que os dois carregadores tenham exatamente a mesma potência, o dimensionamento da instalação pode ser diferente.

Por isso, o profissional responsável deve analisar as condições reais do circuito.

2. Evite extensões e adaptadores

Esse é um dos cuidados mais importantes.

Evite conectar o carregador utilizando:

  • extensões comuns;
  • benjamins;
  • adaptadores improvisados;
  • réguas de tomadas;
  • emendas inadequadas;
  • plugues ou tomadas que não suportem a corrente exigida.

Esses componentes podem criar pontos adicionais de resistência elétrica e aquecimento.

Além disso, uma extensão aparentemente adequada pode não ter sido projetada para permanecer submetida a uma corrente elevada durante várias horas.

Orientações recentes de órgãos de segurança, como o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, reforçam a importância de uma instalação profissional e a proibição do uso de adaptadores e extensões em determinadas aplicações de recarga.

Em São Paulo, as orientações atualizadas para sistemas de alimentação de veículos elétricos também reforçam a necessidade de sistemas dedicados e restringem soluções improvisadas, como tomadas comuns, adaptadores e extensões em determinadas situações.

3. Utilize um circuito exclusivo para o carregador

O carregador de carro elétrico não deve simplesmente ser conectado a um circuito residencial já muito utilizado.

Um circuito dedicado permite dimensionar corretamente:

  • cabos;
  • disjuntor;
  • dispositivos de proteção;
  • conexões;
  • aterramento;
  • sistema de seccionamento.

Além disso, evita que outros equipamentos da residência compartilhem o mesmo circuito de alta demanda.

Imagine uma instalação em que o mesmo circuito alimenta o carregador, uma máquina de lavar, uma secadora e outros equipamentos.

Durante a recarga do veículo, a soma das cargas pode aumentar significativamente a corrente do circuito.

O resultado pode ser aquecimento, queda de tensão e atuação frequente do disjuntor.

4. Escolha corretamente o disjuntor

O disjuntor é uma parte fundamental da proteção da instalação.

Ele deve ser dimensionado de acordo com o circuito e com a capacidade dos condutores, considerando também as características do carregador e os critérios técnicos aplicáveis.

Um erro comum é pensar:

“Se o disjuntor desarma, basta colocar um disjuntor maior.”

Isso pode ser perigoso.

Se o cabo foi dimensionado para determinada corrente e alguém aumenta a capacidade do disjuntor sem verificar o restante da instalação, o condutor pode passar a trabalhar acima da condição para a qual foi projetado.

Nesse cenário, o disjuntor pode deixar de proteger adequadamente o cabo.

Portanto, nunca aumente a corrente nominal do disjuntor por conta própria.

Se ele está desarmando durante a recarga, é necessário descobrir a causa.

5. Verifique se os terminais estão bem apertados

Um dos problemas menos percebidos em instalações elétricas é a conexão inadequada.

Um terminal frouxo pode aumentar a resistência elétrica naquele ponto.

Quando uma corrente elevada passa por essa conexão durante várias horas, o local pode aquecer consideravelmente.

Esse problema pode ocorrer em:

  • disjuntores;
  • tomadas;
  • plugues;
  • bornes;
  • conectores;
  • caixas de passagem;
  • quadro elétrico;
  • terminais do carregador.

O aquecimento localizado é especialmente importante.

Se um determinado terminal está muito mais quente que o cabo ao redor, pode existir um problema de conexão.

A inspeção e o reaperto devem ser realizados por profissional qualificado, com o circuito devidamente desenergizado e utilizando os procedimentos adequados.

6. Use componentes compatíveis com a corrente do carregador

Não adianta ter um cabo adequado se a tomada ou o conector não suporta a corrente utilizada.

Todo o conjunto precisa ser compatível.

Isso inclui:

  • cabos;
  • tomadas;
  • plugues;
  • conectores;
  • disjuntores;
  • dispositivos diferenciais;
  • dispositivos de proteção contra surtos;
  • bornes;
  • caixas;
  • carregador;
  • sistema de aterramento.

Um único componente subdimensionado pode se tornar o ponto de maior aquecimento do circuito.

Por isso, a instalação deve ser analisada como um sistema e não como uma coleção de peças independentes.

7. Tenha atenção especial às tomadas

Quando a recarga é realizada por uma tomada convencional, é necessário ter ainda mais cuidado.

A tomada pode ser submetida a uma corrente elevada durante muitas horas.

Uma tomada antiga, desgastada, frouxa ou de qualidade inadequada pode apresentar aquecimento excessivo.

Observe sinais como:

  • tomada quente;
  • plugue quente;
  • plástico escurecido;
  • cheiro de queimado;
  • marcas de derretimento;
  • faíscas;
  • mau contato;
  • plugue que fica frouxo.

Se qualquer um desses sinais aparecer, interrompa a recarga.

Não continue utilizando a tomada simplesmente porque o veículo ainda está carregando.

8. Prefira um carregador residencial adequado

Para quem utiliza o carro elétrico frequentemente, um wallbox pode oferecer uma solução mais apropriada do que depender de uma tomada residencial comum.

O wallbox é instalado como parte de uma infraestrutura elétrica específica e pode incorporar recursos de monitoramento e proteção.

Alguns equipamentos modernos também possuem recursos como:

  • monitoramento de temperatura;
  • proteção contra sobrecorrente;
  • proteção contra sobretensão;
  • detecção de falhas;
  • controle de potência;
  • conectividade;
  • programação de horários;
  • gerenciamento de carga.

Isso não significa que qualquer wallbox seja automaticamente seguro.

O equipamento precisa ser compatível com a instalação elétrica e instalado corretamente.

9. Não ignore o comprimento dos cabos

Quanto maior o percurso entre o quadro elétrico e o carregador, maior deve ser a atenção ao dimensionamento.

O comprimento do circuito pode influenciar a queda de tensão e as condições de operação.

Por isso, aumentar a distância entre o quadro e o wallbox sem revisar o projeto elétrico pode resultar em uma instalação inadequada.

Esse é outro motivo pelo qual não é recomendável copiar a instalação de outra residência.

10. Considere a forma como o cabo está instalado

A capacidade de dissipação de calor do cabo depende também de como ele está instalado.

É importante considerar situações como:

  • cabos agrupados;
  • eletrodutos muito ocupados;
  • ambientes com temperatura elevada;
  • passagem próxima a fontes de calor;
  • instalações em locais pouco ventilados;
  • eletrodutos com dimensionamento inadequado.

Quando vários condutores ficam agrupados, o calor gerado por eles pode se acumular.

O projeto deve levar essas condições em consideração.

11. Faça o aterramento corretamente

O aterramento é outro elemento fundamental da segurança da instalação.

Ele contribui para o funcionamento adequado dos sistemas de proteção e para a redução dos riscos associados a falhas elétricas.

A ABNT NBR 17019 possui requisitos específicos para instalações de recarga e complementa os requisitos gerais da ABNT NBR 5410.

Órgãos de segurança também reforçam a importância do aterramento em sistemas de carregamento de veículos eletrificados.

É importante lembrar que aterramento não significa simplesmente “colocar um fio na terra”.

O sistema precisa ser projetado, instalado e verificado corretamente.

12. Instale os dispositivos de proteção adequados

Além do dimensionamento dos cabos, o sistema precisa contar com dispositivos de proteção compatíveis.

Dependendo da instalação e do carregador, podem ser necessários dispositivos como:

  • disjuntor;
  • dispositivo diferencial residual (DR);
  • dispositivo de proteção contra surtos (DPS);
  • sistema adequado de aterramento;
  • dispositivo de seccionamento;
  • proteção contra corrente residual contínua, quando aplicável;
  • proteções internas existentes no próprio carregador.

A configuração exata depende do modelo do carregador, da instalação e das normas aplicáveis.

Por isso, não é recomendável comprar um “kit universal” de proteção sem que um profissional avalie a instalação.

13. Evite carregar o veículo com cabos enrolados

Essa é uma dica simples, mas frequentemente esquecida.

Quando um cabo fica muito enrolado ou acondicionado de maneira inadequada durante a passagem de corrente, a dissipação térmica pode ser prejudicada.

Sempre que possível, mantenha o cabo organizado e siga as orientações do fabricante.

Evite deixar o cabo prensado, dobrado excessivamente ou em contato com fontes de calor.

Também não coloque objetos pesados sobre o cabo.

14. Proteja o carregador contra calor excessivo

O ambiente onde o carregador está instalado também influencia seu funcionamento.

Em locais muito quentes, a capacidade de dissipação térmica pode ser reduzida.

Sempre respeite as orientações do fabricante sobre:

  • temperatura de operação;
  • ventilação;
  • distância das paredes;
  • exposição ao sol;
  • proteção contra chuva;
  • umidade;
  • circulação de ar.

Normas e orientações de segurança para sistemas de recarga também tratam da ventilação e da instalação dos equipamentos em ambientes adequados. O Corpo de Bombeiros de Goiás, por exemplo, recomenda atenção à ventilação em ambientes não abertos devido à liberação de calor durante a recarga.

15. Faça uma inspeção periódica

Mesmo uma instalação corretamente dimensionada pode apresentar problemas ao longo dos anos.

Conexões podem se deteriorar, tomadas podem sofrer desgaste e cabos podem ser danificados.

Por isso, é importante realizar inspeções periódicas.

Observe principalmente:

Cabos

Procure por:

  • rachaduras;
  • cortes;
  • ressecamento;
  • deformações;
  • partes escurecidas;
  • aquecimento anormal.

Plugues e conectores

Observe:

  • folgas;
  • mau contato;
  • cheiro de queimado;
  • marcas de calor;
  • deformações.

Wallbox

Verifique:

  • mensagens de erro;
  • desligamentos inesperados;
  • aquecimento anormal;
  • falhas recorrentes;
  • ruídos incomuns.

Quadro elétrico

Observe:

  • disjuntores desarmando;
  • cheiro de queimado;
  • marcas de aquecimento;
  • ruídos;
  • componentes com alteração de cor.

Se algum desses problemas aparecer, procure um profissional qualificado.

16. Use o gerenciamento de carga quando necessário

Em algumas residências, o problema não está apenas no carregador, mas na quantidade total de equipamentos funcionando simultaneamente.

Imagine uma residência com:

  • chuveiro elétrico;
  • forno elétrico;
  • ar-condicionado;
  • secadora;
  • bomba de piscina;
  • carregador de carro elétrico.

Se todos forem utilizados ao mesmo tempo, a demanda elétrica pode aumentar bastante.

Uma solução interessante é utilizar um sistema de gerenciamento de carga.

O sistema pode reduzir temporariamente a potência destinada ao veículo quando a residência está consumindo muita energia.

Isso permite aproveitar melhor a infraestrutura existente e pode reduzir a necessidade de grandes alterações na instalação.

17. Não tente resolver aquecimento aumentando ou diminuindo a potência sozinho

Alguns carregadores permitem selecionar diferentes níveis de corrente.

Isso pode ser útil, mas não significa que o usuário deve alterar as configurações sem verificar a capacidade da instalação.

Se o circuito foi projetado para determinada corrente, aumentar a potência do carregador pode ultrapassar a capacidade prevista.

Da mesma forma, reduzir a potência pode ser uma alternativa temporária em determinadas situações, mas não substitui a correção de uma instalação inadequada.

Se o cabo está aquecendo demais, o correto é investigar a causa.

Como identificar um aquecimento preocupante?

Uma maneira prática de avaliar o problema é observar o comportamento do sistema durante uma recarga.

Situação normalmente esperada

  • pequeno aumento de temperatura;
  • carregador funcionando normalmente;
  • nenhuma alteração de cor;
  • nenhum cheiro estranho;
  • conectores em boas condições;
  • ausência de ruídos ou faíscas.

Situação que merece atenção

  • cabo muito quente;
  • plugue excessivamente quente;
  • tomada aquecendo mais que o restante;
  • disjuntor desarmando;
  • cheiro de plástico queimado;
  • plástico amolecendo;
  • marcas escuras;
  • ruído elétrico;
  • faíscas;
  • carregamento interrompendo frequentemente.

Situação de emergência

Se houver fumaça, derretimento, fogo ou sinais claros de falha elétrica:

  1. interrompa a recarga se for seguro fazê-lo;
  2. desligue o circuito pelo dispositivo de seccionamento adequado;
  3. afaste-se de componentes energizados;
  4. não toque em cabos danificados;
  5. acione o serviço de emergência apropriado se houver incêndio.

Nunca tente resolver uma falha elétrica grave improvisando reparos.

Vale a pena medir a temperatura dos cabos?

Em instalações comerciais ou de maior potência, profissionais podem utilizar instrumentos específicos para avaliar pontos de aquecimento.

A termografia, por exemplo, pode ajudar a identificar pontos quentes em:

  • quadros elétricos;
  • disjuntores;
  • conexões;
  • terminais;
  • cabos;
  • carregadores.

Ela pode ser uma ferramenta útil para manutenção preventiva, principalmente em sistemas submetidos a utilização frequente.

Entretanto, uma câmera térmica não substitui o projeto elétrico nem a análise de um profissional.

E se o cabo aquecer apenas durante cargas mais altas?

Isso também merece investigação.

Imagine que o carregador funcione sem problemas em uma corrente menor, mas comece a apresentar aquecimento quando a potência aumenta.

Isso pode indicar que algum componente do circuito está próximo do seu limite ou que existe uma condição inadequada na instalação.

Nesse caso, não é recomendável simplesmente continuar utilizando a potência mais baixa indefinidamente sem verificar a origem do problema.

A redução da corrente pode diminuir o aquecimento, mas não necessariamente elimina a causa.

A instalação deve ser feita por profissional qualificado

A instalação de um carregador de carro elétrico não deve ser tratada como a simples instalação de uma tomada.

É necessário analisar a infraestrutura elétrica existente e verificar se ela suporta a demanda do equipamento.

O Corpo de Bombeiros Militar de Goiás reforça a necessidade de instalação por profissional habilitado e destaca medidas como proteção elétrica, aterramento, dispositivos de desligamento e documentação técnica.

Além disso, as exigências específicas podem variar conforme o estado, município, tipo de edificação e local da instalação.

Em condomínios, por exemplo, também pode ser necessário analisar a infraestrutura coletiva, a capacidade disponível e as regras internas.

Quando é necessário procurar um eletricista?

Procure um profissional quando:

  • o cabo estiver aquecendo excessivamente;
  • o disjuntor estiver desarmando;
  • a tomada apresentar cheiro de queimado;
  • houver sinais de derretimento;
  • você quiser instalar um wallbox;
  • precisar aumentar a potência do carregador;
  • quiser mudar a bitola dos cabos;
  • estiver construindo um circuito novo;
  • houver dúvidas sobre aterramento;
  • a instalação for antiga;
  • houver vários equipamentos de alta potência na residência.

Não tente corrigir problemas de dimensionamento simplesmente trocando componentes.

Checklist para evitar aquecimento dos cabos

Antes de utilizar regularmente um carregador residencial, confira:

  • O carregador é compatível com a rede elétrica?
  • O circuito foi dimensionado especificamente para a recarga?
  • Os cabos possuem seção adequada?
  • O percurso dos cabos foi considerado no dimensionamento?
  • O circuito é dedicado?
  • O disjuntor é compatível?
  • O sistema possui proteção diferencial adequada?
  • Existe proteção contra surtos quando aplicável?
  • O aterramento foi corretamente executado?
  • As conexões estão adequadas?
  • Não existem extensões ou adaptadores improvisados?
  • A tomada e os conectores são compatíveis com a corrente?
  • O carregador está instalado em local apropriado?
  • Existe ventilação adequada?
  • O cabo está em boas condições?
  • Não existem sinais de aquecimento excessivo?

Se alguma resposta for “não” ou “não sei”, vale a pena solicitar uma avaliação profissional.

E quanto à rede elétrica da residência?

Outro ponto importante é analisar a capacidade total da residência.

A instalação de um carregador pode representar uma carga significativa, especialmente em equipamentos de maior potência.

A ANEEL possui regras específicas para instalações de recarga de veículos elétricos e sua Resolução Normativa nº 1.000/2021 reúne as principais regras relacionadas ao serviço de distribuição de energia elétrica.

Em determinadas situações, como uma nova conexão, alteração de carga ou mudança de nível de tensão, pode ser necessário comunicar a distribuidora.

Por isso, antes de instalar um carregador de alta potência, é importante verificar não apenas o quadro elétrico, mas também a capacidade disponível para o imóvel.

Conclusão

Evitar o aquecimento excessivo dos cabos durante o carregamento do carro elétrico começa muito antes de conectar o veículo.

O principal segredo é ter uma instalação corretamente dimensionada, protegida e compatível com a potência do carregador.

Os cuidados mais importantes são:

  • dimensionar corretamente os cabos;
  • utilizar circuito dedicado;
  • escolher disjuntor adequado;
  • garantir aterramento correto;
  • utilizar as proteções necessárias;
  • evitar extensões e adaptadores;
  • verificar tomadas e conexões;
  • manter os cabos em boas condições;
  • respeitar as especificações do fabricante;
  • garantir ventilação adequada;
  • considerar o consumo total da residência;
  • realizar inspeções periódicas.

Um pequeno aquecimento pode fazer parte do funcionamento normal de um sistema elétrico. Já aquecimento intenso, localizado ou acompanhado de cheiro, deformação, faíscas ou descoloração nunca deve ser ignorado.

Quando se trata de recarga de veículos elétricos, segurança não é apenas uma questão de escolher um bom wallbox. É preciso pensar no conjunto: carregador + cabos + proteções + quadro elétrico + aterramento + infraestrutura da residência.

Quanto melhor for o projeto e a instalação, mais eficiente, confiável e segura será a rotina de carregamento.

Referências importantes

Abracopel – Guia de aplicação da ABNT NBR 17019:2022: material que explica a aplicação da norma específica para instalações de carregamento fixo de veículos elétricos e sua relação com a ABNT NBR 5410. Abracopel – Guia de aplicação da ABNT NBR 17019:2022

Corpo de Bombeiros Militar de Goiás – Orientações sobre sistemas de carregamento: reúne recomendações sobre instalação profissional, aterramento, proteção elétrica, dispositivos de desligamento e prevenção de riscos. Corpo de Bombeiros Militar de Goiás – Orientações de segurança

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – Veículos Elétricos: apresenta informações regulatórias sobre estações e serviços de recarga de veículos elétricos no Brasil. ANEEL – Veículos Elétricos

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – Resolução 1000: reúne informações sobre direitos, deveres e regras relacionadas ao fornecimento de energia elétrica. ANEEL – Resolução 1000

Corpo de Bombeiros Militar do Ceará – Sistemas de Recarga: apresenta orientações sobre segurança contra incêndio em edificações que possuem sistemas de alimentação de veículos elétricos. CBMCE – Sistemas de recarga para veículos elétricos

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